O Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET) é hoje referência de lazer e prática esportiva na cidade de São Paulo. O parque fica no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital paulista, tem uma área de 286 mil metros quadrados e passou ao comando da Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação (SEME) em maio de 2008. Possui uma ampla estrutura, que conta com: três campos de futebol, quatro quadras de vôlei, duas quadras de basquete, quatro quadras poliesportivas, seis quadras de tênis (duas de saibro), um campo de rugby, balneário com quatro piscinas, pista para caminhada e corrida, uma pista de atletismo, três salas de ginástica, um playground e um ginásio poliesportivo.

Reza a lenda, que antes da formação da cidade de São Paulo, indígenas já buscavam água no local que hoje abriga o Ceret. Até antes da década de 1960, o parque que hoje conhecemos tão bem era uma reserva de Mata Atlântica com árvores de diversas espécies, conhecida como Mata Paula Souza. O espaço dessa reserva não era utilizado por completo, pois havia o risco dos animais selvagens que habitavam a mata atacarem. Porém, em alguns locais da mata o acesso era mais fácil e menos perigoso, permitindo que os visitantes pudessem colher frutas do pé e tomar banho em uma nascente de água cristalina. Mas foi em 1970 que a história do Ceret começou de verdade a ser escrita, e por um nome muito conhecido no cenário do futebol brasileiro: Leônidas da Silva.

Leônidas da Silva, o ‘Diamante Negro’, fez história no Botafogo Futebol e Regatas, no Clube de Regatas do Flamengo, no São Paulo Futebol Clube e é claro, na Seleção Brasileira de Futebol. Apesar dos títulos que conquistou em toda a sua vida, Leônidas ficou marcado mesmo por uma jogada em especial. O jogador é creditado até hoje por ser o inventor do chute bicicleta, lance esse que embelezou o futebol e acabou conquistando o Mundo.

Mas, qual a relação do inventor da ‘bicicleta’ com o Ceret? Na realidade, a relação é gigantesca.

Após o fim de sua carreira como jogador, o Diamante Negro também foi técnico e dirigente do São Paulo Futebol Clube. Foi comentarista esportivo no rádio, considerado por muitos um profissional direto e sem papas na língua; era duro e polemizava bastante. E além desses cargos, ocupou o que foi de importância crucial para a criação do Ceret: foi funcionário do Departamento do Lazer do Trabalhador na Secretaria do Trabalho do Estado de São Paulo.


E foi trabalhando pelo estado, que Leônidas da Silva colocou como sua principal meta proporcionar maior lazer ao trabalhador. O ex-jogador tomou a frente de todo o processo. Usou a reputação que construiu para que o trabalho ficasse mais fácil, e contou com a gestão de dois governadores para isso. Em 1970, o então governador de São Paulo Roberto de Abreu Sodré, através de decreto, desapropriou a área da Mata Paula Souza, e deu início a construção do Parque Estadual dos Trabalhadores (PET) no ano de 1973.

Em 1974, a estátua de Davi, réplica da obra de Michelangelo que foi doada pelo governo italiano para decorar a entrada do Estádio Municipal do Pacaembu, foi retirada de lá para receber os visitantes do Ceret. Esse processo de locomoção da estátua foi um dos vários que compuseram o parque que conhecemos hoje. Desde antes da inauguração, Leônidas da Silva já trabalhava como diretor do Ceret, ao lado de Candinho Neto, presidente da ABRET (Associação Brasileira de Esportes para Trabalhadores).

No centenário de Leônidas da Silva, o Ceret realizou um campeonato de futebol em sua homenagem, e colocou uma placa na entrada do parque, como uma forma de agradecimento pelos serviços prestados. Você pode saber um pouco mais sobre essa homenagem aqui.

Serviço – Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET)
Endereço: Rua Canuto de Abreu, s/nº, Tatuapé
Telefone: (11) 2671-8788

Texto: Leandro Olovics – laoalves@prefeitura.sp.gov.br
Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/esportes/noticias/?p=188513